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O blog atém-se às questões humanas. Dispensa extremismos ou patrulhas. Que brilhe a sua luz. Bem-vindo e bem-vinda!

sábado, 19 de fevereiro de 2011





Você tem medo de santa-cruzes, eu também tive, mas vejam meu texto abaixo e grato pelo acesso.
O blogueiro.



Santa cruz

Essa daí, compadre Cláudio?
O compadre da cidade ficou a olhar sem dizer quantas lembranças lhe traziam o monumento caipira. Tem história, isso tinha, mas contar assim com as palavras não dava. Eram muita coisa para dizer assim! Assim reza o jeito de contar dos caipiras. Solene, calmo, discreto, com respeito. Caipira quando conversa, gosta de ser ouvido por Deus e pelos homens.
Sem mais palavras, tratei de ir formando palavras débeis de meu texto, mas uma névoa em minha mente trazia tantos eventos que fiquei grogue. As palavras corriam em meus dedos como uma psicografia. Os mortos respiravam naquela gruta quente e simples, envolvida com capim e pintura velha. Olhei para o compadre, em seus “zóio” pequenos e úmidos e sem dizer uma palavra. Era ali que a tantas procissões viera. Tantos irmãos caboclos encontraram-se, tantos pais-nossos e ave-marias rezara, tanta fé manifestara sem nenhum conceito de teologia. Se perguntasse a ele quem era Deus por certo responderia o que o padre disse, mas sua fé ia além, inclusive das minhas palavras. A tábua solene em cruz, cheirando a jasmim dizia mais que uma assinatura autoral, falava de vida que só se traduz com vida. Pobre escritor, “empiastro tradutore”.
O lugar era numa subida de curva da estrada, flores brotavam entre algumas ervas aromáticas, plantadas ou nascidas a esmo, não sei, mas parece que nunca saíram de lá. Era como se a terra emergida do oceano há uma eternidade estivesse sempre daquele jeito. Ninguém ligava para a tal santa cruz, era como uma entidade, um portal em meio ao sertão, desolada e somente os ventos a percebiam ali abandonada pelos homens.
Descemos a casa de noitinha. Uma luz se postou lá encima na forquilha do madeiro. A lua viandante corrigia aos focos a guisa de um iluminador secreto, e sempre na montanha aparecia a santa cruz com velas que alguém acendeu no seu interior e fechou a portinhola de vidro. Mas depois naquela noite choveu tanto que só deu para espiar da veneziana de casa. A santa cruz imponente. Os pingos fortes nos relâmpagos sobre a gruta. Parecia que o rutilar incomodava os mortos, mas não, a santa cruz protegia a vila dos raios, disseram-me.
No dia seguinte ia-me embora com meu texto, mas ao passar lá, meu amigo que ia junto parou.
- O cê num vai acendê nem uma vela?




O Seminário Sinopse:
A morte de Olderick reabre a discussão sobre um fato antigo, o da morte de Adelmo em 1940, noviço e autor de um diário desaparecido. Duas mortes semelhantes em épocas diferentes. Coincidência? Talvez. Mas ainda outra morte da mesma sacada e os ataques aos seminaristas nas cercanias do Seminário põem em dúvida a tese da simples coincidência. Os moradores desconfiam de alguém furtivo pela casa antiga, de muitas janelas, portas e passagens secretas. Talvez o diário de Adelmo ou as anotações de Olderick possam elucidar o mistério, mas o jovem Teófilo vai descobrir coisas que nunca imaginou
Preço de capa: R$23,00. Já reservou o seu? Faça pelo e-mail camilo.i@ig.com.br

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Grato aos leitores pelas quarenta e oito visitas. Se quiserem comentem ou critiquem o blog ou o blogueiro.
Suor e lágrimas, assim é a vida humana. Ambos inexplicáveis, a não ser fisicamente. Este texto abaixo é sobre.

Lágrimas .... Lágrimas................,
Temo tocar a presença daquele pano úmido de lágrimas nas pontas, como envolto por uma aura. Esse desconhecido mundo das lágrimas! No sofá, a coberta em panejamento como sombra de um crepúsculo absorvido pela janela. Coberta desarrumada e retorcida como sudário, pelas convulsões de um corpo invisível que quer ressuscitar. Algumas pétalas vermelhas jazem no estofo e no vaso um caule verde, mas lembro-me da espinhada no dedo em colhê-lo abrupto da roseira. Mesmo assim, curara a mim antes e, ao depois, ferida foi ornar a mesinha com o vaso azul dela. Na porta dos fundos ouço um choro canino. Percebeu-me na casa? Parece um choro de filhote, baixinho. Será que os cães nunca crescem? Tem água e comida lá!
Volto ver a coberta sobre o sofá – não a que o recobre, mas a que desvela uma presença, um calor ainda latente. Alguém que passou por mim e deixou um suave perfume. Esse espaço imantado permanece como um tabu e limito-me a um passo, torcendo o nariz para o sobrenatural. O drapeado do tecido encontra-se tal como deixado da última vez, plasmado por quem amo. Mas para onde foi? Vejo as sombras projetadas, as cortinas soltas, a fremir uma imagem de reflexos sucessivos, um momento contínuo da janela entreaberta. Aqui a deposição, a capitulação e um véu balouçante ao sol, mas nada foi perdido! Vou puxar esse pano de um golpe como fazem autoridades que descerram mármores, e jogá-lo na máquina de lavar, distante dos meus olhos, mas minhas mãos obedecerão? Elas amaciaram com o tempo ou foi o efeito da espetada na roseira? Não doem, mas tremem conforme o que tocam, suplantam meu cérebro.
O cão arranha a porta, insuportável, vou abrir. No corredor sem marcas alguém se segurou, guiou-se por um corrimão invisível do quarto a sala. Na cozinha lavo as louças de ontem e o cão entrou e foi direto ao sofá, nos braços dela. O cão a viu! Ele pula e lambe e mordisca e levanta o focinho e arfa, quer brincar, entreter-se. À noite ainda ouço a respiração forte de um desejo, forte, roçando meus ouvidos como os ventos de outono, na noite fora.
“O essencial é invisível aos olhos.” – Antoine-Jean-Baptiste-Marie-Roger Foscolombe de Saint-Exupéry

SINOPSE DE O SEMINÁRIO
A história se passa num seminário grande, de dois andares, um casarão antigo de frades. A morte de Olderick reabre a discussão sobre um fato antigo, o da morte de Adelmo em 1940, noviço e autor de um diário desaparecido. Adelmo é tido por suicida. Duas mortes semelhantes em épocas diferentes, os corpos são encontrados de manhã caídos no jardim sob a sacada. Coincidência? Talvez. Mas ainda outra morte da mesma sacada e os ataques aos seminaristas nas cercanias do Seminário põem em dúvida a tese da simples coincidência. Os moradores desconfiam de alguém furtivo pela casa antiga, de muitas janelas, portas e passagens secretas. Talvez o diário de Adelmo ou as anotações de Olderick possam elucidar o mistério, mas o jovem Teófilo vai descobrir coisas que nunca imaginou em sua vida e talvez nem você.
Camilo Irineu Quartarollo
Preço de capa: R$ 23,00 + postagem
Reservo-lhe um?

sábado, 5 de fevereiro de 2011

O texto desta semana dedico ao meu irmão quase-gêmeo, temos vinte meses de diferença de idade e brincávamos juntos quando crianças. O tema que postou no seu blog http://blogs.jovempan.uol.com.br/quartarollo/ é sobre texto que o Luís Fernando Veríssimo teria escrito na net e, como muitos textos atribuídos a ele, este também não era, mas deu um bom gancho a esta crônica...


Luís, o Big Brother

Quem escreve os textos que o Luís Fernando Veríssimo escreve? Eis o paradoxo.
Diz o autor, em carne e osso, que os textos que circulam pela net, twiter, não são dele. Diz que tem outro “você” por aí nesse mundo virtual da net. Confessa-se sem essa máquina de pega-trouxa (friso meu, hem) de twiter.
A net é tão rápida que nem dá tempo de assinar os artigos, o jornaleiro corre mais que o jornalista. Os jornais envelhecem – tem-se de ler de manhã, à tarde a TV ou a net já o tornou obsoleto, leito para cocô de cachorro. Alguns atrasados como eu ainda o releem enquanto cuidam dos animais.
Caso é que o povo, o escritor jovem, o rebelde, o descontente com o status quo, quer se manifestar e ser ouvido como o Luís Fernando Veríssimo. O homem é um poço de inteligência e humanidade, simples que aparenta a simplório, com seu longo nariz vermelho e uma timidez robusta de um papai-noel sem barba. (mas não é o papai-noel também). Diz ele na sua coluna que não escreveu sobre o Big Brother, pois não assiste ao programa. Dá a entender que por puro desinteresse, ingênuo ou genuíno (adjetivos meus) – está desprogramado, não lhe puseram a grade de show em sua cabeça.
Outro caso é dos pseudônimos (nomes falsos). Na ditadura, o autor do Leite Derramado, não transbordava como Chico Buarque, mas Toninho da Adelaide, nos tempos duros de Vargas, Marques Rebelo escreve o trapicheiro, mas na verdade é Eddy Dias da Cruz. Para o escritor ou escrevente participar de concursos literários tem de se inscrever com pseudônimos, para não se ter privilégios na seleção – ganhar concursos literários, por vezes, é um sortilégio, nunca ganhei nenhum com os meus pseudônimos – vou colocar algum melhor, talvez Gaúcho da fronteira, analista de Bagé, epa, não vou escrever todos aqui, que daí não vai sobrar nenhum criativo para o próximo concurso. Já para o Nobel e outros títulos concedidos tem de se ter NOME e como para o Obama, concedido como “voto de confiança” (nunca vi título assim, mas deve ser coisa de Estocolmo, se não virar síndrome...).
Uma coisa é certa, cada vez que Luís Fernando nega que são seus os textos, eles ficam mais veríssimos, o pseudo autor mais famoso e o autor mais anônimo – talvez o Luís quisesse ser o anônimo, que escreve tão bem, segundo ele mesmo. Todavia, quando o vejo, de um perfil bem brasileiro, calado, humano, acho que Deus devia lhe ter dado um irmão gêmeo. Eu tenho um quase-gêmeo! E aproveito para dizer que também não tenho twiter, celular, fax, não sou o Luís Fernando, nem o Jabor, ninguém me conhece, sequer por quinze segundos. E por que estou escrevendo isso? Ora, nem eu sei, mas o jornal me deu uma pontinha. (Publicado no blog do quartarollo (jovem pan) e no jornal de Piracicaba.)
SINOPSE DE O SEMINÁRIO
A história se passa num seminário grande, de dois andares, um casarão antigo de frades. A morte de Olderick reabre a discussão sobre um fato antigo, o da morte de Adelmo em 1940, noviço e autor de um diário desaparecido. Adelmo é tido por suicida. Duas mortes semelhantes em épocas diferentes, os corpos são encontrados de manhã caídos no jardim sob a sacada. Coincidência? Talvez. Mas ainda outra morte da mesma sacada e os ataques aos seminaristas nas cercanias do Seminário põem em dúvida a tese da simples coincidência. Os moradores desconfiam de alguém furtivo pela casa antiga, de muitas janelas, portas e passagens secretas. Talvez o diário de Adelmo ou as anotações de Olderick possam elucidar o mistério, mas o jovem Teófilo vai descobrir coisas que nunca imaginou em sua vida e talvez nem você.
Camilo Irineu Quartarollo
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sábado, 29 de janeiro de 2011

Amigos, o texto de hoje é sobre a chuva de quem não foi alagado. A natureza fala-nos e quando vemos pela TV inundações, reconhecemos que tratamos mal a natureza, que devolve tudo. Por isso trate-mo-la bem. Leia a sinopse do meu livro no final deste texto e comente se quiserem.

O blogueiro



Chuvas de janeiro


Choveu a noite toda. Choveu mesmo. Como saída de uma rosca sem fim, que deixa os asfalto mais preto e brilhante e o andar prudente, fugindo às poças. Se sair vou me molhar, então melhor ouvir o tempo. Mas agora a cadência harmônica dela ressona no telheiro limpo e uma gotinha aqui ou acolá bate buliçosa em sustenido em meio ao coro de chuvinha, mas que molha o pedestre desprovido de seu guarda-chuva. Ressoa na calha, num eco, terna e constante num acorde próprio de Deus. Como se a chuva toda estivesse no vazio dessa gota, no eco úmido do meu corredor, preguiçosa e infindável. Volto a dormir.
Depois da constante chuva noturna, a água ainda escorre pelo quintal sulcado pela correnteza e borbulhando em buracos de formigas. Divina música! A melodia, sua cadência ou quais gotas dos dedos de Deus respinga - infinitas ou é a mesma? Sim, ela prevalece dentre muitos sons domésticos no café da manhã, ainda depois da chuva, tilintando no acaso em algum lugar.
Volta a chuva, matutina, abundante de um céu que parecia ter dado tudo de si, mas vem depois de uma peneirinha fina e os pingos em oitava acima já, como o segundo coral, depois para numa reflexão, parada momentânea e vem como a nona sinfonia de Beetoven e chove à vontade até parar novamente e... os respingos depois, alguém que chora por dentro. Sem som, somente a vibração de cordas surdas.
Esses pingos são verdadeiras criaturas, digo pingos, não pedaços de chuva. É um corpúsculo, um ente. Os vejo redondinhos e transparentes, límpidos, que crispam quando se quedam ou descem ao chão, às coisas disformes e líquidas como os sentimentos, às sensações de um observador efêmero como o homem ou de um alagado ribeirinho, à alma da natureza, e a água do meu copo é mera ressonância do meu muito obrigado. Quer um gole?

Publicado nA Tribuna Piracicabana em 29/01/11
SINOPSE
A história se passa num seminário grande, de dois andares, um casarão antigo de frades. A morte de Olderick reabre a discussão sobre um fato antigo, o da morte de Adelmo em 1940, noviço e autor de um diário desaparecido. Adelmo é tido por suicida. Duas mortes semelhantes em épocas diferentes, os corpos são encontrados de manhã caídos no jardim sob a sacada. Coincidência? Talvez. Mas ainda outra morte da mesma sacada e os ataques aos seminaristas nas cercanias do Seminário põem em dúvida a tese da simples coincidência. Os moradores desconfiam de alguém furtivo pela casa antiga, de muitas janelas, portas e passagens secretas. Talvez o diário de Adelmo ou as anotações de Olderick possam elucidar o mistério, mas o jovem Teófilo vai descobrir coisas que nunca imaginou em sua vida e talvez nem você.
Camilo Irineu Quartarollo
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Obs.: Você poderá adquirir comigo pelo e-mail camilo.i@ig.com.br e estará à venda na Libral e Nobel do centro de Piracicaba-SP. Contacte-me.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Amigos, já moraram em algum casarão? O texto hoje é sobre. Eles não tinham as trincas que os de hoje têm, porque o cimento armado é muito rígido, o saibro e as massas de antigamente eram mais plásticas, como o texto que quero apresentar-vos. Abraço a todos e leiam a sinopse de O Seminário no final. Grato.


Casarões
Na cidade têm muitos por aí, esparsos, em meio aos arranha-céus, abandonados. Quando nem se percebe se os vê em esqueleto a céu aberto, em demolição suspensa, pendente de algum inventário. De quem é? Hoje de manhã estacionei meu carro em frente a um deles, em pleno centro da cidade. O baita estava para ser derribado. Fiquei olhando as portonas de tranca de madeira, os janelões com molduras dos pedreiros de antigamente, que assentavam aqueles tijolões enormes, que nenhum olaria fabrica mais. Salta aos olhos aquela planta baixa em tamanho natural, na qual pude pisar. Na marca do primeiro degrau da escada, pus o pé e tirei, o patamar já não existia, era devaneio subir uma escada invisível, mas subi ao andar superior, a uma sacada de observador feliz. Na sacada suspensa, na vertigem dos meus olhos via lá embaixo, pequenos, carros antigos e transeuntes de cartola e bengala, vivos.
Nas paredes internas todas derribadas e somente os alicerces demarcam os antigos cômodos. Uma família vivia ali. Quase ouvi um choro de criança no quarto do filho menor, pegado ao quarto do casal. A marca do fogão à lenha e a fumaça que ficara na parede ainda em pé, com um risco de carvão. O chão, sim, a parte do piso que não tiraram, era um ladrilho antigo de motivos vermelhos e verdes, bonito e de muita história. Voltei para sair e pisei naquele chão inda úmido do sereno da casa e acima um céu risonho com pássaros em suas circunvoluções. O telhado da casa?! Meu Deus! Tiraram-lhe o tampo! Era um quadrilátero vazio.
Nada mais do que já fora um lar. Imaginava um telhado invisível, alto e as pessoas que ali viviam. Quando se habita uma casa, um ambiente familiar, não se percebe a fragilidade da vida e é como se as paredes pudessem reter sentimentos, esconder olhares e às quatro paredes é onde se quer ver.
Quem pode conhecer o espírito humano, os alicerces da cultura? Índios têm ocas, árabes têm tendas, esquimós têm iglus, mas “o filho do homem não tem onde reclinar a cabeça”. A casa ainda respira, mas já vêm os demolidores e a caçamba, lá embaixo um carro atrapalhando, vão guinchar... “o meu carro”!
Pois é, fui buscar no pátio meu poisé com um troco emprestado, ao passar pelo, pela... o casarão já não era. Só me resta registrar em textos as vidas que ele abrigou. Com certeza o cimento armado virá sepultar essa memória urbana.
(Publicado na A Tribuna Piracicabana de 22/01/11)
SINOPSE de O SEMINÁRIO
A história se passa num seminário grande, de dois andares, um casarão antigo de frades. A morte de Olderick reabre a discussão sobre um fato antigo, o da morte de Adelmo em 1940, noviço e autor de um diário desaparecido. Adelmo é tido por suicida. Duas mortes semelhantes em épocas diferentes, os corpos são encontrados de manhã caídos no jardim sob a sacada. Coincidência? Talvez. Mas ainda outra morte da mesma sacada e os ataques aos seminaristas nas cercanias do Seminário põem em dúvida a tese da simples coincidência. Os moradores desconfiam de alguém furtivo pela casa antiga, de muitas janelas, portas e passagens secretas. Talvez o diário de Adelmo ou as anotações de Olderick possam elucidar o mistério, mas o jovem Teófilo vai descobrir coisas que nunca imaginou em sua vida e talvez nem você.
Camilo Irineu Quartarollo
Obs.: Você poderá adquirir comigo pelo e-mail camilo.i@ig.com.br, autografo e entrego pessoalmente ou por correio, e o mesmo estará à venda na Libral e Nobel do centro de Piracicaba-SP, pelo módico valor de R$23,00. Contacte-me.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Vejam após o texto do blog, a sinopse do livro O Seminário.

A Outra ou Os doces de casamento

Quando chegou a casa a esposa chorava, deitada na cama com as mãos cobrindo o rosto. Na cozinha toda bagunçada panelas, pratarias todas espalhadas e no chão uma barata não pisada, agonizante, esperneava. A situação era preocupante nos primeiros dias de casamento. “Que foi, meu bem?” foi a primeira tentativa de estabelecer contato, mas os soluços convulsivos da mulher não davam tréguas, até que:
- Você pensa que sou escrava, aqui. Enquanto ela está ai o tempo todo, eu sei. Não adianta tentar esconder não.
Casado recentemente, marido de primeira hora e jovem, deixara algumas pendências afetivas e casos amorosos terminados unilateralmente por ele, mas as sequelas de uma vida avessa aos padrões monogâmicos davam azo a pensar e devanear. Ela estava ressentida de alguma fofoca, pensou. Começou a enumerar mentalmente os amigos invejosos e os prejudicados de suas relações de alcova, não achou ninguém tão mal a ponto de pôr a esposa a nocaute por depressão.
Eliminados os problemas externos, reuniu energia para resolver os de casa. Escrava – dizia a esposa. Por quê? Ela quem? E veio a pergunta certa, aquela “de quem você está falando, meu bem?” A pergunta certa, mas em hora certa? Não, ela voltou à choradeira. Mas antes se levantou e lançou algumas acusações aleatórias. A Outra rondava pela vida conjugal deles. Estavam bem, tentando viver a dois, mas não cabia um terceiro escuso. Ele contou nos dedos as quais deixara pela esposa e faltavam dedos, mas cheio de dedos foi consolar a mulher, carinhoso. Estava escrito nos seus olhos que, antes não o olhassem com aquele olhar de medusa, petrificado. Vira um fantasma. A coisa era mais séria da que pensou.
Seu sangue fervia. Se a Outra, fosse quem fosse, estragasse seu casamento a mataria de forma desumana, com crueza. Sentia-se invadido em seu lar, profanado o seu sagrado matrimônio e ferido os sentimentos puros da esposa, uma conquista de um marido arrependido de sua vida dissoluta, que agora cobrava por cumplicidade. Afinal, fizera diante do altar o contrato com Deus e com o cartório e agora alguém se interpunha na sua vida consagrada de homem de família.
A Outra tinha de ter o nome dela, era a vingança maligna. A esposa não conseguia proferir nem o nome, mas o levou escorada pelo corredor até a cozinha, ela estava lá. Ora, a Outra era uma barata que a assustou e o marido começou a rir e levantou o pé como herói para matar a invasora, mas não, um grito da mulher:
- Não a mate, é um ser vivo!
Então?.. Taca o spray, taca o spray, repetia a entomofóbica e a barata esperneava, olhando os algozes discutindo a forma de sua sentença, rodando o dorso pela cozinha até que conseguiu se desvirar e fugir; todavia, enquanto os doces de casamento estiverem por ali, a Outra ronda o lar.
O SEMINÁRIO - Sinopse - A história se passa num Seminário grande de dois andares, um casarão antigo de frades. A morte de Olderick reabre a discussão sobre um fato antigo, o da morte de Adelmo em 1940, noviço e autor de um diário desaparecido. Adelmo é tido como suicida. Duas mortes semelhantes em épocas diferentes, os dois caem da sacada e são encontrados de manhã, caídos no jardim. Coincidência? Talvez. Mas ainda outra morte da mesma sacada e os ataques aos seminaristas nas cercanias do Seminário põem em dúvida a tese da simples coincidência. Os moradores desconfiam de alguém furtivo pela casa antiga de muitas janelas, portas e passagens secretas. Talvez o diário de Adelmo ou as anotações de Olderick possam elucidar o mistério, mas o jovem Teófilo vai descobrir coisas que nunca imaginou em sua vida e talvez nem você.
Camilo Irineu Quartarollo

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011


Amigos, grato pelo apoio e acessos em 2010. Espero que este blog de crônicas continue correspondendo às espectativas. Mas vejam o texto abaixo sobre como surgem expressões populares, que depois ninguém sabe quem falou primeiro. Um abraço. O blogueiro

Dia enluarado

Que lua? – Essa é uma expressão popular nova que se incorpora à Língua. Numa fila de supermercado, o “mano” suado olhou para mim e desabafou: que lua, heim meu!? Não tive alternativa linguística a não ser responder: Que luão, né!?
Os literatos que o corrijam à portuguesa, mas o povo entende e nem a ditadura consegue mudar o espírito da língua e os apetites por vocábulos novos, nascem por aí como filho sem pai de uma geração espontânea ou a criatura é relegada a um escritor aventureiro.
Ora, Sol e Lua são análogos, sucedâneos, mas a Lua é maior que o Sol, maior não, “mais grande” porque está mais perto (embora dizer “mais grande” fira os ouvidos sensíveis, os dois astros são grandes, um é ou parece maior que outro. A Lua tem um calor próprio e em noite enluarada o dia é mais quente ainda, dia enluarado! A Lua vence o aguerrido e inflamado sol em noite de Lua, ela reina durante o dia e noite.
O professor da esquina discutia com o homem que perambulava pela rua pedindo, provocando, arruaçando. O modesto mestre, cujos óculos não lhe caem das pupilas flamejantes, advertia-o a seguir o bom português; mas do bar vinham bêbados e mais algumas expressões espirituosas. No que lá também junto ao vinho e à caninha reviviam literatos e artistas de figuração, mesmo a desdém de um copo protagonista.
Embora não fosse desfrutar do vício parava os que iam para um dedo de prosa – mas nem um uisquinho, tio? Era só conversa mesmo. Como a casa do professor era o início de um aclive, o bebum ficava, os corajosos que tentavam subir desajeitados, voltavam para o parapeito da janela e conversavam ou dormiam agarrados ao poste. O caso era que num desses dias, o transeunte, trançando as pernas, queixava-se do nhenhéu. Seria um pernilongo, um Aede Egipte, um mosquito comum, ou o quê? O literato e filólogo quis saber, mas só ouvia o zumbido e os golpes de trôpego tentando acertá-lo de punhos cerrados. Que nada. O coitado estava suado e não pegava a criatura voadora invisível e como não visto, era como um verme ou bactéria, nome de coisa que não se vê. Mas o professor insistiu:
- O que esse nhenhéu, meu filho; eu não sei?
- Num sabe, um próóofessôr, nenheu.

Neste 2011 lançarei O Seminário. Um livro de muita dedicação para escrever, reescrever, garatujar, regaratujar, corrigir, recorrigir, ajustar, reajustar, pensar na capa, na contracapa e chegar até o leitor da melhor forma e o mais caprichado possível. Aí está ao lado, num livro aberto O Seminário. Vou informando melhor nas próximas postagens. Para maiores contatos acesse meu e-mail camilo.i@ig.com.br