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O blog atém-se às questões humanas. Dispensa extremismos ou patrulhas. Que brilhe a sua luz. Bem-vindo e bem-vinda!

sábado, 27 de novembro de 2010

Homenagens póstumas ao meu professor e amigo Euclides Buzetto, foi ele um dos que, em suas aulas de geografia, 1977, lembro-me, levava os alunos à reflexão apesar da desinformação sistemática promovida pelo regime militar, falando sobre os problemas reais da opressão e do silêncio imposto. Amigo, creio que, se foi para o céu ou para o inferno, vai se virar muito bem, alienado não é, e, se no céu, não existe campanha de desinformação, só existe o Ser, o verdadeiro, nada mais.

Condolências ao estimado e admirado amigo Gleison pelo passamento de seu pai de oitenta anos e de muitas lições que vai nos contando o filho. Falar da amizade do Gleison é covardia, porque com tantas qualidades humanas e profissionais tem muitíssimos amigos e eu mais um.

O poderoso cachorrão - texto do blog, publicado no A Tribuna Piracicabana de 27/11/10. Divirtam-se.

Outro cachorro! Sim, o de estimação morrera há alguns dias. Muito pranteado pela mulher, mas na feirinha comprou outro e, grande, bem maior o que Pequinês que tinha. Com certeza aquele cachorrão ia levantar os móveis todos ao entrar embaixo. Que belezinha - dizia ela - e já veio com um lacinho vermelho e uma medalhinha em latim no pescoço! O marido já mandou os seus chistes: Só falta falar latim, latir já late muito bem. Mas a jeitosa esposa punha o marido no seu lugar e o cão no outro, ambos no sofá. Sim, o cachorro sentava-se como gente. Era um enorme cão de pelo branco, que mais parecia um urso mole, folgadão. Apelidado de Pimpão. Não fazia nada, mas usufruía de tudo. O marido se ressentia. Era só ouvir talheres descia pela escada em fartos pelos brancos balouçante com a língua vermelha de fora. Oh!Pimpão, exclamava a amável dona. Pimpão vinha e sorvia um prato cheio de um refinado cardápio humano, sem ter de cortar os pedacinhos com talheres – era só esperar com as patas dianteiras sobre a toalha e nhac-nhac para as goelas. No final, ela lhe perguntava se queria um suquinho e, pronto, era só arfar e num abrir de boca lá estava o cochinho com o suco gaseificado. O marido esquecido ficava no canto da mesa como o chefe do lar, mas os cuidados lhe eram poucos acessíveis e comia as sobras, primeiro o Pimpão.
Os carinhos eram todos para o cão. Criara ojeriza pelo animal que quando ficava nas duas patas, quase igualava ao seu tamanho de grande que era, e lambia tudo, até ele se deixasse. Quando a esposa saía, ficava com o Pimpão sentado ao lado. Quase não podia ver TV, as lambidas e mordiscadas dele nas próprias patas incomodava o homem com o controle remoto. Dizem que cachorro não consegue enxergar a tela, porém este não abria mão do sofá e manducava porcariadas junto com o dono. Era uma forma de manter calmo o peludão, enquanto a mulher não chegava. Quando esta chegava, que festa! Olha o que eu trouxe para você! Vinha com presentes para o cão, para o marido não. Este reclamava e ela o consolava: bem, não ia trazer osso para você, ia?
Que raiva! Sentia o homem, tanta, que um dia quase roeu um daqueles ossos duros na solidão, mas pensou e devolveu no cocho. Aquelas crises de ciúme iam e voltavam e o cachorro não tinha isso, era tranquilo, balançando a pelagem branca pela casa com a medalhinha no pescoço. A medalhinha!? Será que não seria alguma indicação do nome do antigo dono? Se fosse, iria devolvê-lo. A mulher que comprasse outro pequinês para se distrair. Então tentou a amizade com o inimigo. Ao sair a esposa, começou a se entreter com o cachorro para ler a medalhinha do pescoço dele. A aproximação foi lenta e gradual, enquanto se descuidava propositalmente da tela da TV. O cachorro assentiu ao carinho, olhando para ele como gente e relaxando a língua, arfava pelo inesperado e ele foi até que chegou à medalhinha e, lendo “in canis corpore transmuto” transformou-se em cachorro e o Pimpão, em homem. Momentos após chegou a mulher, beijou o falso marido e puxou a pelagem do falso Pimpão, que teve de descer ao chão e ver o rival com o controle remoto na mão.

sábado, 20 de novembro de 2010








O jardim francês - publicado na @ Tribuna Piracicabana em 20/11/10


Conheceram-se num jardim, na adolescência. Eram bancos entremeados de chafarizes, estatuas e os deuses do amor, sem cerca ou portão, que impedisse a visão ou acesso. Era público e aconchegante, de muito espaço o jardim do primeiro beijo.
Não se casaram, como dois pássaros fizeram o ninho num lugar escuso, na garagem dos pais dela, ao lado do jardim francês, numa cama de solteiro, onde mal cabiam seus corpos e nos corpos em que mal cabiam de felizes.
Na primeira noite perceberam um furo no teto, mas longe da cama, por onde o luar da cheia espraiava-se sobre o piso trincado na marca da mancha limpa, e no ar o halo bonito de uma noite de leve candura. Lá fora, do outro lado da meia-noite, assobios dos passantes defronte a velha garagem com algumas peças desmontadas de carro pelo chão e na parede uma bicicleta inclinada num gancho. A viatura da policia passou com a sirene ligada, sumindo na noite; um velhinho costumava tocar a bengala pelas reentrâncias da porta metálica, como um teclado irritadiço – mal sabia que havia gente lá. A menina virava-se por sobre o companheiro e dava graças a Deus quando ouvia o velhinho ao longe, numa tosse e tóc-tóc na esquina. De repente descia uma bicicleta de breque puxado, uma moto acelera e derrapa, um homem desce assobiando e de mochila nas costas, pensa – é o guarda da fábrica ao lado.
No segundo dia choveu. A lua não deu as caras. As penumbras de caixas e coisas empilhadas ao lado, fazia os jovens assemelhados ao descaso. A goteira do teto era constante, escorrendo pelo corredor contínuo até o portãozinho baixo, atrás de uma espinheira. Sabia que além tinha o jardim, por onde podia o ver úmido e breve sob as luzes redondas de postes antigos.
Nos dias seguintes, a insônia fazia a menina perambular pelo jardim, fora da garagem do pai. As flores estavam esplêndidas com a chuva da noite e o sol matutino derrubava ainda algumas gotinhas das folhas, num som inaudível. Mais tarde o jovem levantava e abraçava o travesseiro ainda quente, dos sonhos que a menina tinha levado para o jardim e para lá ia, acordar-se de vez. Era dia. Na noite seguinte o pai levantou a porta da garagem e os encontrou dormindo lá, nus. Cassou a permissão deles e que se virassem por outro local, lá não. Antes nada era proibido. Se não fosse o jardim não se conheceriam e a garagem seria mais um depósito de coisas.

sábado, 13 de novembro de 2010

Divulgação: Parabéns ao espetáculo teatral ganhador de vários prêmios Tudo o que não invento é falso, inspirado na obra do poeta Manoel de Barros, dirigido pelo Abegão. acima o cenário com as cores dos livros de Manoel.

Parabéns também aos atores mirins Jone e Bruno da Escola Jorge Coury e aos professores pela apresentação da peça de autoria de Jone, As histórias que foram e não voltaram.


Aproveito para agradecer à ong www.viralaviravida.org.br por doar-nos Belinha (Chiara, registro Ong), encontrada numa toca de coruja com três filhotes, em condições difíceis, cuja foto posto ao lado.

Dois olhos

Um barulho no quintal. Todos acordaram na noite. Cuidado, pé ante pé no silêncio que se instalou a seguir. Nada. O quintal estava calmo. As janelas contidas pela cortina de seda, a cidade sonha nas penumbras domésticas, nos corredores de fora, a lavadora de roupas, os varais no balanço da brisa madrugadora, ruídos furtivos de um pássaro noturno e dois olhos. Dois olhos! Sim, viam-se sob a cadeira encostada à parede, donde lá saiu um cachorro de cor caramelo. Eram dois olhos e quatro patas brincalhonas. Tinha fome, mas contentou-se em lamber a primeira mão estendida e com a sobra esfriada sobre o fogão do jantar.
Enrolado numa camiseta velha do dono da casa adormeceu. No dia seguinte o visitante esticou as pernas, cheirou toda a cercania da casa, cuidadosamente e aguardou na porta da cozinha. As pessoas iam se levantar. Sabia. Foi estabelecendo preferências. Gostava de mexerica e não comia abacate. Se tivesse problemas intestinais fazia jejum e comia mato, o seu olfato lhe permitia conhecimentos além da do dono biólogo. Os ossinhos, iguarias que a dona lhe dava escondidos aos pedaços pela casa e quintal, o cão ia a eles pelo olfato estabelecendo um mapa em seu cérebro canino. Mas de memória? As tinha? Por certo. Quando os pedaços eram menos que os quatro costumeiros, fazia o caminho pelos esconderijos habituais, como os da sequência anterior, buscando o alimento e o carinho atrás de obstáculos, em sua jocosa manobra e piques pelo quintal.
Por vezes, Dois olhos – esse era o segundo nome ou apelido que perdurou ao animal - devolvia às pessoas da casa um ou outro alimento ou brinquedo, seguros na boca, numa relação de amizade, ou ainda, o animal escondia objetos em algum lugar escuso, ao acaso, de presente a quem fizesse a faxina. Ao ser afagado nos pelos do pescoço relaxava do stress do quintal, das formigas que comiam sua ração e dos pássaros que invadiam seu território. Olhar enigmático, o sentimento canino era imperscrutável, mas benignamente, afetivo e manso, contido nos olhos expressivos. Mordiscava, não feria as mãos humanas que o incomodavam; se uma tapa acidental ou não, sempre oferecia outro focinho, outros olhares inenarráveis aqui (pergunte a mulher). A mulher, sensível, dizia ao marido: “Os olhos mudam, veja esse olhar, parece gente!”. Dois olhos fita também o dono que tirava os olhos da TV, era como se tivesse ouvido a conversa toda, silente e em pé nos joelhos da dona, falava com os olhos.
Dentre os parentes, era tido por alguns como um cachorro vadio, de manhas e mais uma boca para alimentar. Afinal seria uma ótima companhia para maltrapilhos e bêbados, chegavam a dizer. Era mesmo, não fazia acepção de pessoas, reconhecia a raça humana além das ambições e vaidades. Tinha faro, feeling para conhecer amigos. Mas a sua predileção era a família que adotara (o cão os adotara).
Publicado na A Tribuna Piracicabana em 13/11/10 - grato

sábado, 6 de novembro de 2010

Divulgação:
Nhô Lica já é peça de Teatro com o diretor, escritor, e roteirista (e discurpe se fartô algum atributo) Carlos ABC que fez essa peça com o habitual jeito piracicabano e quem não conheceu Nhô Lica, conheçam.
texto do blog:
Espero que gostem do texto de minha infância, talvez a família goste.
Estamos com os últimos exemplares de O Efeito Espacial, grato a todos os leitores e incentivadores da leitura e do gênero. Tento fazer o meu melhor e caprichar, cortar na carne palavras e frases para dar entendimento e não torturar o leitor.
Grato.
O blogueiro.

Fuga do sultão


Minha infância. O sultão era cavalo único. Lembro-me dele na cachoeira, depois de desencilhado da carroça. Comia olhando ao longe, aliviado do cansaço da jornada da feira, enquanto meu pai fazia a sesta. Era como seus olhos contassem do pai, com quem eu não podia estar o tempo todo. Sultão agora estava lá solto, comendo, livre de peias e eu sabia que papai dava um cochilo dentro de casa.
Ficava olhando o babão e, se o olhasse direto nos olhões, parava. Tinha os olhos escuros e orelhas expressivas quando eu chegara próximo à cocheira. Esticava o braço àquele ser pré-histórico e manso e ele interrompia a mastigação, depois dava uns coices para assustar as moscas. Ao fundo a carroça empinada num canto, nosso “carro”, com estribo de metal e com varais de ponteiros cromados que reluziam ao sol. Quando meu pai levantava-se, passava pela cocheira fazia umas “massagens” na cara do animal e batia forte nas ancas com alguns gritos e o cavalo arrancava para o pasto num relincho de liberdade, dava umas voltas de corrida, de galope, como numa demonstração ao dono. Acho que meu pai fazia isso para eu ver.
Uma manhã meu pai não pôde ir à feira como fazia. De madrugada já viu o portão quebrado e o sultão fora-se. Os vizinhos comentavam e tentavam ajudar olhando pelas redondezas. Perambulava eu pelo pasto vazio e pela cocheira limpa, sentia a falta de sultão. Por onde andaria? Foram dias de preocupação e sem a féria da feira, a família ia passar necessidade. Às vezes, tinha a impressão de ver o animal pastando de cabeça baixa, cortando o capinzal como cortadeira de grama, até ouvia as batidas de patas – não relinchava quando comia. Claro que não estava lá, via meu pai preocupado, pensando em outra solução para a carroça. Eu, criança, sem poder opinar, não via outra opção à carroça a não ser o sultão. Aquele andar cadenciado, de pelos negros, o meu cavalo. Meu? Não, meu pai o dividiu comigo e assim o dissera para satisfazer minha fantasia. O nosso cavalo fugira.
Esses cavalos soltos se ajuntam a tropas em beiras de estradas, em campos, então as patrulhas municipais os pegam e os donos tem de pagar para os reaver. Meu pai já tinha desenganado da busca, mas eu não. Como ia deixar levarem o meu cavalo?! Imaginoso, via aquele cavalo em pensamento. Tinha uma ligação com ele e ao meu pai. À toda informação da vizinhança de algum cavalo parecido os vizinhos vinham à nossa casa. Uma carroça ia levando dois cavalos achados pela rua debaixo. Meu pai fazia a sesta, então sai com minhas calças curtas e descalço, alcancei a carroça aos gritos. Eles pararam, os cocheiros tinham relhos nos ombros e puxavam os animais por cordas, e dei uma ordem:
- Soltem o meu cavalo.
Um senhor olhou de cima e para trás, sem nada dizer, só olhava.
- É esse, é do meu pai, viu. Solte ele, meu pai é ferante. Mora ali, ó, tem de ir na feira amanhã, solta o meu cavalo.
- Seu pai vai pegar ele lá curral da prefeitura, menino.
Olhei o sultão, que não queria ir. Insisti sem argumentos, o homem jogou as rédeas dele para mim. Talvez pensasse que eu os fosse seguir até a prefeitura.
Depois de alguns anos meu pai comprou uma Kombi e o cavalo foi vendido para alguém que era amigo seu. Foi como me contou também, que estava gordo e por final:
- Lembra do Sultão? Morreu.
Assim meu velho pai ia ajudando-me em alguns passos e impulsionando-me em outros, os quais foram revelando-me a vida.

sábado, 30 de outubro de 2010



Casa na enseada

Sobre o monte fez uma mansão. Obra faraônica ao lado de uma reserva de floresta. Os quatis passeavam pelos corredores, a noite já pensara ouvir miados de onça, abaixo um riacho ou veio de água também era ouvido. Pelos enormes vidros do corredor interno ao lado do quarto viam-se macacos saltitando pelas árvores próximas.
Dentro da mansão-casa, nos seus domínios mantinha um angorá de estimação, posudo, doméstico e acomodado. Os vidros lhe davam a visão do pôr-do-sol e o amanhecer mais lindo do monte, a ver o mundo como Zeus, mas os quatis que passeavam fora não via o gato – as janelas tinham vidros especiais. Via-se de dentro para fora, mas não de fora para dentro.
Numa manhã o dono acordou com um tóc-tóc de leve. De inicio não se incomodava, virava e dormia, sonolento. O que era? Não, não tinha forças para levantar, cansado. As crianças viram - Papai, é um lindo pica-pau! Os filhos admiravam-se de ver um pássaro arisco e tão próximo – os vidros especiais permitiam. Eles o viam, mas o pássaro via a si mesmo. Estava medindo força com um rival, seu reflexo. A casa ali era perfeita, mas o guarda florestal advertiu, era próxima de uma reserva e o invasor eram eles. As crianças desciam pelas trilhas e voltavam com os olhos brilhando ante a diversidade e exuberância. A esposa e as crianças adoram a moradia, mas nas primeiras horas do dia aquele tóc-tóc e com o passar do tempo a ave estava mais insistente. É a fase de acasalamento, estão no cio – explicava o policial do IBAMA – e matá-lo é crime inafiançável, heim! Dá cadeia mesmo, é pior que sonegar imposto. O amigo biólogo o acalmava – é um casal, não vê? Ela fica lá na árvore comendo bichinhos e ele vem até ao vidro para defender o território. O dono limitou-se a pôr um mourão para atrair os batuques daquela ave topetuda, ia enganá-la, mas pica-pau não pica pau morto, desiludiu-lhe o guarda.
Cansado e de olheiras, não estava a fim de discutir o sexo das aves, mudou-se de quarto, para o lado oposto da casa, onde seu gato perambulava com maciez e miava sutil, era um recuo estratégico, até que as aves findassem as sessões de acasalamento. Mas qual o quê?
Por estranho motivo, na manhã seguinte a ave bicava a janela de seu novo quarto e mais intensamente. Parecia que seus hormônios afloravam de vez e lutava com um bando na janela. O gato o viu, mas o intruso só via o oponente empenado. O felino subiu sobre um móvel e batia a pata no vidro para afugentar o intruso. O pica-pau voltava com manobras e loop de voo e atacava a vidraça como esquadrilheiro, mas de susto o gato perdeu o equilíbrio, caindo se agarrou num xaxim da parede que se esfarelou no chão e caiu em pé rosnando. Miava feito uma onça, a predador, voltou sobre o móvel saltando e arranhando as paredes e tentava revanche contra o bicudo que enchia a janela de tóc-tóc desesperados.
Se as crianças abrissem a janela para a ave entrar, o outro lado da realidade seria mais fatal ao pássaro. Mal sabia a ave nervosa que lutava com um pica-pau imaginário, podia ser comido por um gato invisível e morto numa toca de humanos.
Meu voto:
Boas eleições e votos de uma feliz decisão, não vamos acabar com raça de ninguém, respeitemos a democracia e todos os partidos constituídos e devidamente legalizados. Devemos acabar sim é com o preconceito, esse não produz benefícios a ninguém, porque é medo; prudência tem-se na Lei e na democracia, hoje constituída num estado de direito. É o meu voto.
O blogueiro. (sábado, 30/10/10)

sábado, 23 de outubro de 2010

















Publicação do blog:
Amigos, este texto refere-se à múmia verdadeira encontrada em Tirol e que muitos programas e notícias já se fez sobre a mesma. Espera que divirtam-se com o vovô Patusko. Se (não) gostarem da abordagem deste ou de algum outro texto, façam suas críticas. Postei várias imagens de Tirol e do suposto patrulheiro. Um abraço.
O blogueiro.
Aproveito para agradecer pelos acessos e aos compradores de O Efeito Espacial e pelos e-mail sobre o livro. Abraço a todos e estamos abertos a qualquer questão que possa nos ajudar mutuamente.

Múmia tirolesa (Ficção)

Vovô Patusko viajou à Itália. Passeios pela cidade entre as pombas da praça. O dinheiro ia escasseando, arrumou “bico”. Lavador de carro, garçom, lenhador até e polícia rodoviária italiana na região próxima ao Tirol, em rondas noturnas.
Numa das rondas com Giuseppe até a fronteira da Áustria em que tremia de frio, seus neurônios estavam quase a zero grau, queria voltar. No acostamento viam os carros que passavam trazendo o ar frio neles. Entraram mais adentro do acostamento, quase na geleira e viram um indigente morto pelo frio, quase encoberto pela neve, a alguns metros da fronteira.
O companheiro ia fazer uma ocorrência, mas Patusko o impediu, queria voltar logo para casa. O indigente? Já estava morto e tinha de ser tirolês. Era só repatriar o infeliz além fronteira. Que fosse recolhido pela ronda Austríaca. O frio manteria o indigente morto e incorruptível, mas na Áustria. E antes que o companheiro puxasse suas anotações
, sem mais olhar o corpo, vovô empurrou com a bota o defunto estrangeiro e voltaram para casa.
Na manhã seguinte, Giuseppe o acordou e quase deu um soco no brasileiro. Perdia-se nas frases de tão ansioso. Falava de patriotismo, honra, e por fim acrescentou que “o indigente italiano que você jogou para a Áustria tinha cinco mil anos!”. Pat
usko pensou que o colega estava bêbado. O indigente pareceu-lhe velho, mas cinco mil anos! Naquela neve todo mundo parece ter cinco mil anos. Então ligou a TV e a notícia corria pelos jornais de TV e impresso. O mundo já soubera nas primeiras horas. A Áustria divulgara o achado pré-histórico deles, que desbotou a amizade dos patrulheiros. Então Patusko lavrou a ocorrência com data retroativa, inserindo um “deslizamento acidental” do corpo sobre a fria neve até o país vizinho onde foi recolhido pelo serviço que recolhia múmias, mas a múmia era italiana, frisou em negrito. Passou as anotações ao chefe e começou a celeuma internacional. De quem era a múmia? Quem a recolheu, suas impressões digitais, a indumentária, a bolsa que portava? Apareceu até uma dona que queria usar o DNA dele para ter um filho ancestral. Os austríacos reivindicavam o achado. Já tinham o corpo recolhido num laboratório para estudá-lo com escâner, sem bisturis para não ferirem o morto ilustre. A notícia e os boatos fervilhavam em todos os jornais. E a múmia, vovô?
Patusko tentou consertar o desatino da noite anterior e entrou furtivamente no laboratório de dessecação disfarçado de cientista, todo de branco e
de óculos escuros. Lá jazia o corpo esquelético onde se lia numa tabuleta: Múmia de cinco mil anos. Podia ser seu antepassado, ter brigado com dinossauros, sabe-se lá. Conheciam-se somente há algumas horas atrás, na fronteira, chutara aquele corpo estranho. Olhava para ele e parece que ia falar. As mãos ainda com carne e uma luva tosca parecia repousar do frio exterior. Os maxilares impressionavam pela força e determinação. Sem conhecimentos específicos daquele gélido cadáver ancestral, cuja aparência conjecturava.
Patusko falava por um celular e pegou a bolsa de couro do infeliz:
- folhas de chás, sementes, canivete, êpa! Essa múmia não é italiana não, ói, uma pamonha mordida, uma foto do Salto de Piracicaba! - Mas antes de acabar alguém se levantou e:
-Devorve meu celular aí, meu; num dá nem pá tirá um cuchilo, vô te contá, viu!

sábado, 16 de outubro de 2010

Como sempre, agradeço aos acessos e leitores de O Efeito Espacial, restam poucos e estão à venda na Libral e Nobel do centro de Piracicaba ou por e-mail. Apressem-se antes que o natal chegue.
Como siempre, agradezco a los lectores de los accesos y efectos espaciales, hay pocos y están a la venta en Libral y Nobel Piracicaba Center o por correo electrónico. Prisa antes de que llegue esa Navidad.

Divulgação:

Tudo o que não invento é falso é uma peça teatral dirigida por Márcio Abegão e com vários prêmios. Vejo que nesta frase de Manoel de Barros, cuja referida peça trabalha o textos dele, mostra que o conhecimento passa pela fantasia, e se não invento ou reinvento, as coisas me são falsas. De fato, ele é um poeta essencial. Aproveito para refletir sobre a percepção que temos das pessoas ao nosso lado. Cada um olha para si mesmo, numa psicologia defensiva e nada sabe do outro até o momento que adoece, que morre ou ganha ou tem um fato notório. Daí sim, tem de ser noticiado globalmente e entra no panteão de santos da mídia. Não é o caso desse desnobelizado poeta dos fundos dos rincões, onde "os bois o criaram". Parabéns ao Abegão e ao grupo e assistam.

Divulgación: todo no invención es false es una obra de teatro dirigida por Márcio Abegão y con varios premios. Veo que esta frase de Manoel de Barros, cuya pieza funciona los textos que se refiere a él, muestra que los conocimientos se pasa a través de fantasía, y si no invención o reinvento, las cosas son falsas. De hecho, es un poeta esencial. Aprovechar esta oportunidad para reflexionar sobre la percepción que tenemos de las personas a nuestro lado. Cada uno de ellos un vistazo para usted, una psicología defensiva y nada sabe el otro hasta el momento en el que enfermo, antes de morir, gana o tiene una bien establecida. Sí, debe ser notificado en el mundo y entra en el Panteón de los Santos de los medios de comunicación. No es el caso llega de fondos de la poeta desnobelizado, donde "creado el bois". Enhorabuena a Abegão y grupo y asistencia


Quase gêmeo (quase ficção)


Nasci depois de vinte meses dele. Perdi a carona com a cegonha branca ou estava num ninho distante, talvez na Itália setentrional, mas cheguei meio sem jeito. Minha mãe menstruou durante toda a gestação e não me esperava mais. Quando nasci, depois da tapa na bunda, minha mãe quis me batizar logo e por o nome do santo dos doentes, Camilo de Lellis, mas meu pai - já que eu tinha vindo mesmo - não me queria tão santo e trocou o de Lellis pelo Irineu. Conseguiu contornar a esposa, tendo em vista que o segundo nome era variação de Irene, a mãe dela. Escapei das honras do altar pela primeira vez, inda bem! Obrigado, pai. Mais tarde saí do seminário antes de pôr a batina e hoje sou casado. Não me vão pegar tão fácil à carolice.
Voltando ao início, dei-me por nascido. Depois de doente por anos devido a um desmame precoce, não mamei mais e até hoje tenho problemas com os sons bilabiais. Mas na família que Deus me deu identifiquei o quase gêmeo, o apressadinho. As pessoas se referiam a nós como tais, gêmeos; eram dois pintinhos, eu amarelo e o outro preto. Por incrível que pareça era mais franzino, minha mãe temia pela saúde dele. Eu, depois da doença à quase morte, de magro revigorei e já cantava de galo, mas o outro era lépido, mesmo franzino. Tinha coisas que eu não sabia fazer e nem tinha a esperteza necessária. Família pobre, as roupas, presentes dos tios e avós, eram de uso comum, dos mais velhos aos mais novos, eu ficava com as dele.
Mas o primeiro triciclo! Eu andava atrás, corria e não chegava a minha vez de montar e pedalar. Era eu! Eu já era...a bicicleta passava num nhéque, nhéque pela sala, pela cozinha, pelo corredor, ufa! Aquela bicicletinha azul, miniatura que nos fazia importante, uma simulação do mundo dos adultos e do nosso mundo de criança. Por vezes, parece que ainda estou correndo atrás daquela bicicleta pela casa, onde o espaço era nosso; mas quando a via estacionada num canto, com os pedais parados no quarto e podia pegá-la, sentia que precisava de mais alguém para brincar, o meu irmão quase-gêmeo. Sozinho não tinha graça.
Porém, cheguei um pouco atrasado ao mundo. Verifico isso hoje, muito se passou sem que eu tivesse consciência ou a consciência que se tem. Pus-me a estudar História e no final a gente se vê reinventando o passado, o que existe é o presente. Se eu nascesse hoje não seria diferente, não seria gêmeo de ninguém. Mesmo no útero, eu era como os jogadores que antes de chutar dão uma paradinha. Fui educado, tinha de me preparar, olhei, pensei e acabei nascendo pelado mesmo. Mesmo antes de vestir eu quero saber da bicicleta azul, das azedinhas que colhíamos no mato, da água do vaso de flores que bebi, do arame que enfiei no canto dos olhos, da cicatriz de faca nos meus dedos, da lapa do dedo que tirei numa pelada de rua, dos meus sapatos furados, da alma do outro mundo, da porquinha que escapou do chiqueiro, da mulher que beijava bunda de neném, do seu João que tomava pinga na mamadeira, de mim mesmo. Aquela bicicletinha azul com os pedais parados são recordações, como um sonho que se sonha a só, por isso o texto e o mundo de muitos outros significantes e textos que lanço. Vão brincá de bicicreta, Baso?

casi gemelas (casi ficción)
Nació después de veinte meses de ella. Perdida el Paseo con la cigüeña blanca era un nido o distantes, quizás en el norte de Italia, pero conseguí la mitad torpemente. Mi madre está menstruando a lo largo de la gestación y yo más esperados. Cuando yo nací, después de la bofetada en el culo, mi madre quería que me a bautizar el logotipo y por el santo nombre de pacientes, Camilo de Lellis, pero mi padre ya había sido incluso-no me quería como Santo y intercambiaron el de Lellis por Ireneo de Lyon. Podría eludir a la esposa, como el nombre del segundo fue la variación de Irene, su madre. Escapó honra el altar por primera vez, inda bien! Gracias, papá. Más tarde dejó el seminario antes de poner la sotana y hoy estoy casado. Recogerá tan fácil a carolice. Volviendo al principio, me ha dado nacido. Después de enfermos durante años debido a un temprano destete, no mamei más y aún hoy tengo problemas con el bilabiais de sonidos. Pero en la familia que Dios me dio la identificados casi gemelos, apressadinho. Las personas a que refiere la letra a nosotros como tal, gemelos; fueron dos polluelos, I amarillo y el otro negro. Sorprendentemente fue más delgadas, mi madre temía por su salud. Después de la muerte, enfermedad revigorei casi bajita y ya cantó de Cock, pero el otro fue Lépido mismo delgado. ¿Había cosas que no sabía que hacer y ni la inteligencia necesaria. Familia pobre, ropa, regalos de tíos y abuelos, eran de uso común, de antiguo a más reciente, estuve con él. Pero el primer triciclo! Yo caminaba detrás, corrió y no alcanzado mi tiempo para montar y pedalear. Estaba yo! Ya estuve... la moto fue un nhéque, nhéque por habitación, cocina, corredor, ver! Ese bicicletinha de miniatura azul, hemos hecho importante, una simulación del mundo de los adultos y los niños de nuestro mundo. A veces parece que todavía estoy ejecutando detrás de esa bicicleta alrededor de la casa, donde el espacio era nuestro; pero cuando la vía estacionado en una esquina, con los pedales se detuvo en la sala y podría conseguir, sintió que necesitaba alguien a jugar con mi hermano casi-gemelos. Por sí solo no era libre. Sin embargo, llegó un poco tarde para el mundo. Veo esto hoy en día, mucho ha ocurrido sin que he tenido conocimiento o conciencia que tiene. Pus me estudiar historia y al final todo el mundo ve reinventar el pasado, lo que es esto. Si fueron nacido hoy no sería diferente, no sería el doble de cualquier persona. Incluso en el útero, estaba como jugadores antes de patada dan un paradinha. Fui educado, tenía que prepararme, miré, pensamiento y terminó siendo nacido sin pelo. Incluso antes de vestir que me pregunto azul, la moto que azedinhas colhíamos Mato, agua del jarrón de flores que bebía, de alambre que se inició en la esquina de los ojos, cicatriz cuchillo en mis dedos, da lapa dedo que tomé una calle desnuda de mis zapatos atascado, el alma del otro mundo, porquinha que escaparon el Orzuelo, las mujeres que lograron a culo bebé, John quien tomó pinga en botella, de mí mismo. Ese azul con pedales bicicletinha detenido son recuerdos, como un sueño sueños sólo, por lo que el texto y el mundo de muchos otros significativos y textos que transportar. ¿Vaya brincá de bicicreta, Baso?
Em respeito aos seguidores de língua Hispânica traduzo, grato.

Comente abaixo, abraços