Amigos, bom carnaval a todos e grato aos órgãos da imprensa pela publicação desta inacreditável aventura. Saudações ao meu primo e inspirador Valdir, de Santa Terezinha. ahahah.
Blogueiro ciclonada
Ciclonauta
Ciclonauta

Estava saindo para
pedalar quando os caras com carrão preto o quiseram cercar, mas ele evadiu-se
perseguido, até que parou e enfrentou os gringos.
- Qué apostá uma, é?
Então põe mai força nessa lata véia suas.
- Quer ir pro lua?
- Lua? Eu vô dizê
proceis, carece não. A mor de que eu sei bem que aquilo é uma coisica de nada
pra pedalá, que graça tem?
- No, a senhor vai
ver que non.
- Como?
O gringo explicou
melhor. Depois de solto o último foguete auxiliar, a cápsula de bordo vai pela
inércia, atraída pela gravidade lunar, mas, no caso, ele ia pedalando até a
lua, gerando energia aos propulsores, esse era o seu trabalho, e lá, no chão da
lua o reconhecimento deixando a marca dos pneumáticos da bike por solo nunca dantes
pedalados, onde nenhum homem jamais esteve, de bike, pelo menos.
- Aceito, mai, meu
primo vai cumigo.
- Why, por quê?
- Sô privinido. Preciso
de ajudante, se furá um pneu, e mai da conta ele escreve tudo que vê na viage.
E vô usá capa preta, óculos escuros e, lógico, capacete meu.
Para descer o gringo
nos instruiu que viéssemos pela via láctea, deslizando e depois, atenção, na
reentrada em órbita da terra quando os corpos queimam, pedalar em marcha leve,
dando voltas, até que os pneus se inflariam e do selim abriria um paraquedas
para cairmos serenamente no rio, como chuva domingueira, ao lado da casa do
povoador.
- E se errar o
itinerário da lua?
- Vão pra Plutão -
Gringo mal educado!
De lá de cima não
conto porque é segredo da NASA, do mais revelo que quebramos a linha daquele
menino sentado na lua minguante do Spielberg e quase batemos no menino levando
o ET na bicicleta. Na reentrada da atmosfera, meu Deus! Balançava toda a
lataria e meu primo pedalava, pedalava, nuvens e mais nuvens, uma garça, um
anjo, uma cegonha sem-vergonha e nuvens, até avistarmos a chaminé do Engenho.
Na atmosfera já, um engraçadinho acertou de boa mira um dos pneus infláveis e
nossa trajetória foi parar no meio do mato, nos braços dos bonecos do Elias,
enroscados na vara e linha de pesca que quebrou do menino da lua minguante. À
margem fomos autuados por pesca na piracema. O seu delegado não acreditou nessa
história, prendeu nossa bicicleta e nos deixou na mão, a pé e lá a lua a nos
olhar... ciclonauta.
Divulgação:
O blogueiro é escritor nas horas vagas e o recente obra é Laços do Sertão.
O blogueiro é escritor nas horas vagas e o recente obra é Laços do Sertão.
Belo conto... pedalei e muito por luas... fugindo do "seu delegado!"
ResponderExcluirParabéns, Camilo! Histórias de raiz mesmo!
Abraço.